Posted by : Unknown domingo, 6 de dezembro de 2015

Em um dos primeiros textos que escrevi para esse blog (Ciência fastfood) eu abordei um assunto meio absurdo, que é a exploração do trabalho do cientista por sanguessugas como a Elsevier, porém o foco do texto foi voltado para Salami-Science. Hoje eu quero falar sobre como o monopólio sobre a publicação de papers afeta a todos nós, desde os países mais pobres até os mais ricos.

Como já abordei antes, um cientista precisa publicar papers para comunicar suas descobertas e caminhar em sua carreira, portanto aquele que não pública em grandes periódicos ou faz isso de forma escassa é um ninguém. Então existe um grande desespero para se ter um bom número de publicações e, por si só, isso já não está sendo uma coisa boa. Porém nada está tão ruim que não possa piorar, por trás dessa linha de produção em massa de artigos que os cientistas do mundo todo estão imersos, existe uma grande corporação chamada Elsevier, que sozinha possui quase 30% de todo mercado de publicações acadêmicas do planeta (claro que ela não é a única, mas será o saco de pancada da vez e mais abaixo ficará claro o porquê).

Para se entender a relação entre você, eu e a Elsevier, vamos a essa história real:

Eu trabalho na Unesp que, junto com a Unicamp e USP, recebe 10% do ICMS arrecadado pelo estado de São Paulo, além disso sou financiado por um órgão federal que, claramente, é mantido com dinheiro da União. Ou seja, se você é do estado de São Paulo você paga duas vezes pela minha pesquisa que será publicada em um paper no periódico Physics Letter B, da Elsevier. Geralmente funciona assim, se o periódico tem interesse na pesquisa você publica de "graça", senão há a possibilidade de você pagar por página (algo que é muito caro). Supondo que eles aceitem meu paper financiado pelo seu dinheiro, ele será publicado e o mundo todo terá acesso a ele, com isso pessoas de países pobres e ricos, você e seus filhos poderão desfrutar do meu trabalho acadêmico...... NÃO! NÃO MESMO!.... muito longe disso. Depois de publicado, esses periódicos cobram uma assinatura anual que no total custa mais de 5 milhões ao ano, tornando-os altamente restritos a apenas quem pode pagar, assim nem os países pobres, nem os países ricos, nem você que financiou o trabalho e nem mesmo eu que o fiz terei acesso sem pagar essa bagatela (ou 35 dólares por artigo). Sim é uma relação de amensalismo absurda, eu trabalho, você paga e quem fica com os lucros é a Elsevier e não há repasse de nenhum centavo para mim ou para a instituição na qual trabalho.

Devido ao grande valor cobrado pela Elsevier (que subiu 145% nos últimos 6 anos), grandes instituições como Harvard alegaram que a situação está insustentável e que o valor "extorquido" não poderia ser pago. Com isso começou uma mobilização de boicote a Elsevier e um grande incetivo aos pesquisadores publicarem em periódicos de acesso aberto.

Essa postura mercenária das grandes publishers afeta direta e negativamente o desenvolvimento científico não apenas em países ricos, mas principalmente em países pobres, uma vez que cria verdadeiras barreiras econômicas e intelectuais entre esses e a produção científica mundial.  Os efeitos também são sentidos pelo mercado de publicações e financiamento acadêmico, uma vez que pequenas empresas são esmagadas por esses monopólios (veja esse caso: Save Ashgate Publishing).

Ilustração: Auke Herrema.
O que temos até aqui é um cenário absurdo; empresas gerando bilhões ao ano com trabalho financiado por instituições de ensino (leia: seu dinheiro), as quais não recebem um centavo desse montante que ajudam a agerar e ainda precisam pagar para se ter acesso aos trabalhos publicados nesses periódicos. A realidade é que estamos engordando esse porco com nosso suor e dinheiro para apenas as grandes publishers comerem.

Nos últimos anos surgiram algumas maneiras de agilizar, facilitar, baratear e até burlar o processo de publicação e disseminação de trabalhos científicos, como o caso do banco de pré-prints Arxivs. Há também uma ferramenta mais democrática ainda que estudantes e professores do mundo todo utilizam, que é a Library Genesis. Sim, ela infringe leis internacionais de copyright de empresas como Elsevier por disponibilizar gratuitamente conhecimento/informação para qualquer um que precise dele, no caso; eu, você, nossos irmãos, professores, um cara lá dos EUA ou um estudante do Zimbábue. Esse é um verdadeiro buraco no muro criado por essas empresas parasitas. Se quiser comparar, é um caso mais delicado do que as empresas de cinema e música, pois essas sim arcam com o alto custo da produção de seus produtos, diferente dessas grandes publishers que faturam perto de 50% do montante gerado e não pagam um centavo pros verdadeiros produtores.

Acontece que agora o nosso bode expiatório, que compactua com o SOPA e PIPA,  quer tapar esse buraco no muro, alegando um prejuízo de mais 1 de bilhão de dólares.  Em uma ação movida contra o a Sci-Hub, LibGen e Bookfi, a Elsevier conseguiu o bloqueio desses sites mostrando sua postura de coibir o acesso público a informação/educação. Embora seja direito de uma empresa reivindicar seus direitos autorais, cabe a pergunta: é direito dela dominar o mercado e criar lobby político, mercadológico e acadêmico para construir barreiras econômicas e restringir a disseminação de informação e conhecimento científico mundial?

Claramente, para mim a resposta é um grande NÃO, pois se fosse eu nem perderia tempo escrevendo um blog que nem propaganda tem. Mas para o juiz que julgou o caso:

"a simples disponibilização gratuita de conteúdo com copyright em um website estrangeiro é um desserviço ao interesse público." 

Baixar um livro/artigo para fins educacionais é um desserviço ao interesse público apenas se "público" for o novo nome fantasia da Elsevier. E mais, paira-me uma dúvida sobre o cálculo aproximado do prejuízo de 1 bilhão, uma que vez que se essa estimativa foi feita sobre os títulos baixados dos sites em questão, esse valor se torna totalmente virtual, já que o simples download não indica que haveria a real necessidade de compra, principalmente tendo em vista as práticas abusivas de preços das próprias empresas.


Como você pode ver o cenário atual é um tanto insustentável, mas há diversas saídas, a primeira e mais óbvia (porém pouco realista) é a dessas empresas tomarem consciência e reduzirem seus altos e injustificáveis valores, outra forma óbvia é um boicote à Elsevier e a valorização do periódicos de Acesso Aberto... mas o que acontecerá, só o tempo irá dizer e nos cabe torcer para que sites como a LibGen e Sci-Hub continuem por mais um longo tempo.


Deixo aqui o pequeno e singelo apoio desse blog ao LibGen e Sci-Hub. Quer ler mais sobre isso? dá uma olhada aqui.

{ 22 comentários ... Abandone toda a esperança aquele que aqui entrar }

  1. lamentável essa situação! mais uma vez o interesse absurdo das empresas travando o progresso da humanidade.

    ResponderExcluir
  2. Acho impressionante espessa nuvem a desinformação que paira sobre a população. Enquanto esse absurdo acontece a maior mídia do Brasil exibe desventuras de amor de uma adolescente no horário nobre de domingo.

    ResponderExcluir
  3. Triste: É muito triste esse episódio, quando poderíamos ter tantos trabalhos de interesse publico e acadêmico, infelizmente ficamos presos as mesmas pesquisas que são construidas na universidade, pois o acesso a outras informações nos é restrito porque não temos Dinheiro.

    ResponderExcluir
  4. Vale aqui pontuar o trabalho do revisor que é subvalorizado. Trabalha de graça pra revista, o fato de ser revisor de periódico nem pesa assim no currículo, acaba nem valendo a pena dependendo do volume de trabalhos que venha a receber para avaliar (que pode comprometer outras atividades do pesquisador caso não haja uma boa gestão de tempo). Pior que devido a própria industria de publicação, criar agora uma revista completamente gratuita não quer dizer aderência e bom fator de impacto (que também torna os pesquisadores subservientes..) Que tipo de ações para além de um boicote seriam discutíveis?

    ResponderExcluir
  5. Minha biblioteca é boa no geral e assina a um altíssimo custo várias fontes acadêmicas, mas canso de procurar textos que não estão dentro das assinaturas da minha universidade ou cujos livros custam os olhos da cara e a biblioteca não os tem e se for comprar levará eras (minha universidade é estrangeira), imagina então com a burocracia, por exemplo, de uma federal brasileira. Solução? Sci-Hub, LibGen e qualquer outro meio, até torrent tá valendo. Eu quero e tenho direito ao conhecimento e à ter o material necessário pra minha tese e não dou a mínima pro infringir o copyright da Elsevier ou de quem quer que seja. Conhecimento deveria ser livre e público.

    Mas também esbarramos num problema prático mesmo que queiramos boicotar revistas fechadas/pagas: O "publish or perish". Fora do Brasil a situação é ainda pior, porque por aí o problema é outro. O acadêmico precisa publicar em Qualis A e as revistas em geral são abertas, o problema mesmo é a forma como montam o ranking e o fato de que em geral só os consagrados conseguem publicar em boas revistas, o resto tem que se contentar a esperar sua vez (que nunca chega). No caso da europa temos de publicar em revistas JCR. Scopus, Ebsco e tal está ok, mas é segunda divisão. Na minha universidade só posso fazer pós-doc se tiver ao menos um artigo JCR, e TODAS as publicações JCR são fechadas. Ou seja, há uma obrigação para se publicar em revistas fechadas. Na minha área todas as boas são fechadas. É uma merda.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exato! TODO conhecimento, inclusive tecnológico, cultural, etc intelectuais, deveriam ser públicos, livres! Não ser obrigado a pagar pelo conteúdo em si.
      http://noticias.bol.uol.com.br/internacional/2010/08/19/ausencia-de-lei-de-direitos-autorais-era-o-motivo-da-expansao-industrial-na-alemanha.jhtm
      http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2002/06/29908.shtml

      Excluir
    2. Precisamos que os programas parem de fazer exigências absurdas, precisamos de melhores índices de impacto, precisamos de ciência para todos.

      Excluir
  6. Sempre pensei que a "ciência" da forma como vemos hoje é elitista. Sempre foi na verdade.

    ResponderExcluir
  7. Gostaria de levantar um ponto que sites abertose piratas como o libgen os russos,etc. são mesmo um desserviço. Publicações de péssima qualidade são um risco a existência da humanidade para ser sintético e um pouco dramático. Por outro lado a scielo eh um exemplo de base que pode desbancar os gigantes monopolistas. Assim espero.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Discordo totalmente de você, pois as publicações de má qualidade já estão naturalmente nas de acesso aberto e principalmente no Vixra, não na LibGen, lá você encontra pirataria de material de grandes publishers que são de boa qualidade.

      Excluir
  8. O problema não e a atuação da Elsevier, mas sim a desinteligência dos cientistas que têm fome de status e querem se destacar profissionalmente a qualquer custo, mesmo que custe dinheiro roubado da população através de impostos. A empresa Elsevier apenas sacou uma forma de ganhar dinheiro. Ela não obriga as pessoas a darem dinheiro para ela, mas se as pessoas derem ela evidentemente aceitará. Não se trata de um monopólio, uma vez que não há regulamentação para essa atividade e qualquer empresa pode se propor a publicar artigos científicos. Os cientistas estão se deixando manipular de tal forma que são praticamente voluntários que sustentam a empresa da qual discordam. Me parece mais produtivo concorrer contra uma empresa que esperar que ela seja solidária e pare de lucrar em prol do bem da maioria e divida sua riqueza com todos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Laercio, não entenda mal a pergunta por favor ela é só para direcionar a discussão. Você é pesquisador em alguma universidade no Brasil ou fora dele?

      Excluir
    2. Sou biólogo professor. Minha intenção inicial era me tornar pesquisador em gerontologia. Experimentei a pesquisa científica no Brasil através da iniciação científica e me frustrei. A iniciativa privada não tem interesse na pesquisa básica e o governo parece ter menos ainda. Mas acompanho a situação da pesquisa no Brasil. Além disso tudo, simpatizo com o libertarianismo, acredito que o governo é o principal responsável por atrasar a pesquisa no Brasil. Basta lembrar da burocracia infernal que é obter material científico vindo do exterior. Por isso minhas ideias foram expressas daquela maneira.
      Minhas críticas não são direcionadas a pessoas específicas, mas à forma como elas se organizam.

      Excluir
    3. Seria interessante criar uma plataforma de divulgação aberta. Ela teria inscrição preferencialmente para pesquisadores, mas de consulta totalmente pública, onde a qualidade dos trabalhos são classificadas de acordo com a votação dada pelos usuários (preferencialmente pesquisadores). Talvez isso funcionasse como forma de reconhecer a competência do pesquisador e seu trabalho. Empresas poderiam usar a plataforma para financiar projetos promissores e os pesquisadores para incrementar seus currículos. Eventualmente os criadores da plataforma tentariam lucrar as custas dos pesquisadores, por isso é preciso pensar em um formato que inviabilize restrição de acesso para comercialização da publicação.
      Uma vez que os pesquisadores já concordam em doar seu trabalho para empresas como Elsevier, uma plataforma assim facilitaria a doação das informações da pesquisa.

      Excluir
    4. Vamos por partes então. Não é fome de status dos cientistas, é obrigação profissional. Os programas criam essas desinteligências que obrigam os cientistas a publicarem nesses periódicos. Se fosse só eu deixaria todo meu trabalho apenas no Arxivs sem problema, mas minha carreira de físico ia pro saco. Se ela obrigasse as pessoas a darem dinheiro a ela isso se chamaria assalto, mas ela se aproveita de um sistema estúpido para coagir instituições e pesquisadores. Sim qualquer empresa pode se propor a publicar, mas quem disse que a publicação dessas empresas tem peso profissional? Se as instituições rankeian periódicos, e os da Elsevier estão lá no topo em importância te obrigando a publicar nelas, claramente que isso gera uma posição privilegiada para a Elsevier criar monopólio. Você que se tivesse o mesmo peso no meu Lattes eu publicar num periódico da Elsevier ou num aberto, eu não publicaria apenas em aberto?

      Eu concordo com você que os cientistas precisam parar com isso. Mas todo sistema acadêmico mundial precisa parar de cobrar absurdos dos pesquisadores, e um desses absurdos é justamente o de que periódicos pagos são os melhores. Tem que haver boicote geral e incentivo ao open access, mas isso não acontece.

      O Arxiv é uma plataforma aberta de préprints totalmente gratuita. O que daria pra fazer é criar peer-review no próprio Arxiv, que é o que alguns matemáticos estão fazendo. Seria "simples", os revisores que trabalham de graça para as grandes publishers parariam com isso e trabalham de graça para o Arxiv, pronto, sem choradeira.

      Excluir
    5. Laércio, como pesquisador em políticas públicas, trago a contribuição de que é impossível resolver problemas sociais através da iniciativa privada, quando é exatamente o lobby dessa sobre a gestão pública que corrompe, burocratiza e engessa soluções em todos os setores (que deveriam ser muito simples, e são). Por iniciativa privada, me refiro ao pensamento que converge para o acúmulo de algum tipo de capital visando interesse que não seja público -- não necessariamente capital financeiro. Por exemplo, temos um sistema eleitoral que converge para que gestores de órgãos públicos se vejam cumprindo ordens e tomando decisões não de acordo com pareceres técnico-científicos, mas de acordo com o que seria mais estratégico segundo alguma previsão de campanhas futuras (e aí isso tem diretamente a ver com dinheiro também).

      Os governos que o liberalismo tanto critica são feitos de pessoas, e pessoas são corrompidas por uma abertura enorme que são os próprios grupos de lobby e interesse que buscam. Veja por exemplo a situação da saúde pública no Brasil, na qual políticos recebem incentivo para ir ao microfone dizer que não há dinheiro, quando sempre houve; e logo depois perdoam dívidas milionárias de empresas de planos de saúde.

      Problemas sociais envolvem soluções baseadas em evidências, e como pesquisadores sabemos que não há boa produção de conhecimento técnico-científico quando alguém precisa cuidar aquilo que vai dizer (é o que trata esse texto, afinal). É triste perceber o quanto temos de conhecimento produzido, e o quanto seria fácil e barato colocar em prática soluções para as políticas públicas (incluindo incentivo à produção científica), e em comparação ver o quanto os governos são atravessados por pressões de todos os lados, obrigando-se a seguir justamente o comportamento de disputar por diversos tipos de capitais, sejam financeiros ou políticos. Um abraço

      Excluir
  9. Também acho isso um absurdo. Sempre acreditei que o conhecimento deve ser aberto ao público, seja ele quem for. Penso que o conhecimento deve ser disseminado a todos, e quanto mais melhor, pois isso viabiliza o desenvolvimento de mais conheciemento. Sem falar que a cobrança desses preços absurdos só dificulta que populações mais carentes não tenham acesso às pesquisas cientificas, o que dificulta o desenvolvimento de proficionais qualificados dessas áreas nesses países. Quando as grandes instituiçoes compreenderem o poder do da disseminação do conhecimeto elas não pensarão duas vezes antes de liberar livremente esse conhecimento.

    ResponderExcluir
  10. E depois muitos cientistas reclamam da falta de bagagem científica da população.
    É um problema difícil de se contornar por causa da cultura de valorização destes periódicos já estabelecida desde muito tempo.
    O YouTube é um exemplo de ferramenta que "democratizou" o acesso a conteúdos que antes eram caros. Mesmo ainda existindo strikes e penalidades para usuários que infrinjam os direitos autorais, temos acesso aos próprios compositores mais facilmente.
    É uma pena o Arxiv e outros não terem o mesmo "peso" que o YouTube tem (mesmo fazendo a ponderação de público).

    ResponderExcluir
  11. Otimo artigo. O q faltou falar foi o papel dos referees nisso tudo.

    Primeiro, referees anonimos q vetam trabalhos de terceiro mundistas, e em alguns casos roubam ideias protegidos pelo anonimato.

    Segundo, publishers como a elsevier dependem deles. A credibilidade de um PRL depende de ter as maiores autoridades mundiais na area como referees.

    Portanto esse assunto é apenas a ponta do iceberg da imundície q rola no mundo acadêmico.

    ResponderExcluir
  12. Conhecimento não deveria se comprado e nem recebido como algo ruim é complicado!

    ResponderExcluir
  13. É... o mundo não tem jeito! :[

    ResponderExcluir
  14. Este foi o primeiro artigo que vi deste blog, já alguns meses, estava a procura de artigos notórios no Google e subtamente me deparei com esse inuciado nas opções de pesquisa!
    Muito Bom, Interessante todos saberem disso!
    Recomendo!!!

    ResponderExcluir

Recebe atualizações por e-mail

Google+

Seguidores

Posts populares

Labels

- Copyright © Simetria de Gauge - Powered by Buc! - His name is Robert Paulson - Use $\LaTeX$